Hotel no Palácio da Batalha

Hotel no Palácio da Batalha

Imóvel, com 4500 metros quadrados, foi comprado por uma empresa de Coimbra

O Palácio da Batalha, no Porto, foi comprado por uma empresa de Coimbra e vai ser transformado num hotel de quatro estrelas. O Pedido de Informação Prévia foi aprovado e o projecto de licenciamento deverá ser apresentado durante o próximo mês.

O imóvel foi comprado à Portugal Telecom pela Hotéis Dona Inês, mas terá surgido um diferendo com os herdeiros relativamente ao uso que iria ser dado ao palácio, alugado pelo Estado para nele ser instalado a Estação de Correios, Telégrafos e Telefones, o que fez com que o processo se arrastasse no tempo.

Ultrapassada a divergência, a Hotéis Dona Inês apresentou à Câmara do Porto um Pedido de Informação Prévia (PIP), que foi aprovado em Fevereiro do ano passado. O Palácio da Batalha é considerado um imóvel de interesse patrimonial e o PIP teve de ser igualmente aprovado pelo Igespar – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico.

Mais de 4500 metros quadrados

O imóvel, que estava na posse do Estado e era propriedade da Portugal Telecom, foi posto à venda em 2007. Tem mais de 4500 metros quadrados e cinco pisos. O hotel da cadeia Dona Inês junta–se a outros que estão a nascer na Baixa do Porto.

O Palácio da Batalha é um edifício com uma história rica. Foi mandado construir por José Anastácio de Silva da Fonseca, um fidalgo cavaleiro da Casa Real, nos finais do século XVIII. Durante o Cerco do Porto (1832), os proprietários, simpatizantes de D. Miguel, abandonaram o palacete, refugiando-se na Quinta da Aveleda.

O governo liberal de então instalou no palácio diversas repartições públicas, tendo servido também como hospital de sangue durante a guerra civil. Foi ali que Bernardo de Sá Nogueira – o marquês de Sá da Bandeira – entrou gravemente ferido no braço direito. Um ferimento resultante do combate travado no lugar da Bandeira, em Gaia. No hospital amputaram-lhe o braço, que foi enterrado no jardim (mais tarde destruído) nas traseiras da casa.

Em 1842, foi restituído aos donos e, em 1861, quando a Câmara mandou terraplenar o Largo da Batalha para ser erguido o monumento a D. Pedro V, o palácio ficou cerca de um metro mais alto que o pavimento da praça. A Câmara deu ao proprietário 800 mil réis de indemnização, dinheiro usado para rebaixar o pavimento do palácio