
Região deve ganhar em breve mais atrativos para os frequentadores
Reduto do charme e da vida noturna e para muitos o coração cultural de Belo Horizonte, a Praça Diogo de Vasconcelos, no miolo da Savassi, finalmente vai ser repaginada, no que promete se tornar a primeira parceria público-privada (PPP) da capital. A prefeitura está em fase adiantada de negociação com o empresariado, que pode assumir a obra – inicialmente prevista para ser custeada com o orçamento municipal do ano passado e adiada, tendo como justificativa a crise financeira mundial. “Em troca, a iniciativa privada pode ter o direito de explorar publicidade na região, dentro das regras da regulação urbana da cidade”, explica o secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Informação, Helvécio Miranda Magalhães Júnior.
Caso o acordo seja firmado, a empresa deve assumir o projeto executivo elaborado pela Secretaria Municipal de Políticas Urbanas (Smurb) para revitalizar uma das áreas mais nobres da Região Centro-Sul de BH. Orçada em R$ 14,8 milhões, a intervenção consiste em dar cara nova ao quadrilátero formado pelas ruas Paraíba, Tomé de Souza, Fernandes Tourinho e Alagoas, tendo como principal modificação o fechamento ao tráfego dos quarteirões das ruas Antônio de Albuquerque e Pernambuco. Liberadas somente para os pedestres, essas quadras devem ser transformadas em quarteirões-culturais, voltados para apresentações musicais, teatrais e outros projetos. Caso a execução ficasse a cargo do município, a previsão de duração das obras seria de nove meses.
Além do fechamento dos quarteirões, o projeto prevê a instalação de quatro fontes luminosas, o alargamento das calçadas, a retirada dos pontos de táxi e a instalação de uma escultura no cruzamento das avenidas Cristóvão Colombo e Getúlio Vargas, por onde passam diariamente cerca de 50 mil veículos, segundo estimativa da BHTrans. Tendo como exemplo a revitalização das praças Sete e Raul Soares, a circulação de pedestres deve ganhar prioridade, com a construção de rampas para pessoas com deficiência física e o assentamento de pisos táteis, além da elevação dos pontos de travessia, com blocos de concreto e pedras portuguesas. Os jardins dos canteiros centrais e o mobiliário urbano também devem ser substituídos.
Seja para encontrar amigos ou para se sentar embaixo de uma árvore para tomar um café e ler um livro, o analista de sistemas Luis Felipe Duarte, de 22 anos, é frequentador assíduo da Savassi. “Certa vez, estava sentado aqui e um senhor idoso se aproximou. Em meio à conversa, contou que antes a praça tinha caráter mais público. É preciso estimular o convívio entre as pessoas. Eventos abertos podem ser uma maneira de incentivar esse encontro e também o sentimento de que se é nascido na cidade”, acredita.
Para o aposentado Benjamin Perez, de 77, cruzar a Praça Diogo de Vasconcelos se transformou em ato corriqueiro. Nos últimos 25 anos, de três a quatro vezes por semana ele tem passado pelo ponto, popularmente conhecido como praça da Savassi, e se entusiasma com a possibilidade de a região ganhar novos ares: “A cidade anda carente de espaços de lazer, principalmente para idosos e crianças. Tudo o que for feito para o bem-estar dos belo-horizontinos é bem-vindo”.
Uma das preocupações dos comerciantes da região é quanto à extinção das vagas de Estacionamento Rotativo nos quarteirões que serão fechados. A estimativa da prefeitura é de que 200 pontos regulamentares de parada deixem de existir, o que, considerando a rotatividade dos ocupantes, representa espaço para cerca de 1 mil veículos.
Segundo o presidente do Conselho da Savassi da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Marco Antônio Gaspar, em reunião com representantes do município, no ano passado, foi pedida a criação de garagens subterrâneas, tanto para os que trabalham na região quanto para frequentadores. “A Savassi está jogada às traças há 30 anos. Fora as estátuas de Roberto Drummond e Henriqueta Lisboa, nada foi feito”, reclama. No mês que vem está previsto novo encontro, quando a prefeitura deve ser novamente chamada a detalhar o projeto.