Marco de Nova York, hotel Plaza tem futuro incerto como edifício residencial

Marco de Nova York, hotel Plaza tem futuro incerto como edifício residencial

21/01 – 17:33 – The New York Times

Quando um bilionário israelense comprou o Hotel Plaza de Nova York por US$ 675 milhões, ele vislumbrou transformar o ostensivo e mundialmente famoso prédio em um edifício residencial de luxo que serviria aos moradores mais ricos do mundo e teria lojas para satisfazer qualquer desejo.

Mas seis anos depois, com a cidade em recessão, os grandes objetivos do novo dono, Isaac Tshuva, e a empolgação dos primeiros moradores do novo Plaza parecem ter diminuído, de acordo com dados de vendas.

Os últimos 11 proprietários a vender suas unidades no Hotel Plaza tiveram prejuízo, inclusive o dono do Apartamento 409 que foi vendido por US$ 8,5 milhões a menos do que valia 16 meses atrás.

As luxuosas unidades comerciais subterrâneas do Plaza têm dificuldade em atrair compradores e um corretor especialista está aconselhando seus clientes a não transferir seus negócios para lá.

E neste outono, degraus abaixo de onde Francis Scott Fitzgerald conheceu sua musa para "O Grande Gatsby", o hotel está abrindo uma praça de alimentação requintada, que oferece hambúrgueres e pizza. O famoso restaurante Palm Court está fechado.

"O Plaza deixou de ser um marco e se tornou apenas um edifício", afirmou Clark Wolf, consultor independente de restaurantes. "Em uma era sem o ‘Tavern on the Green’ ou o ‘Café des Artistes’, nós precisamos de algo. Nova York está desesperada por um marco".

Mas o Plaza, de 102 anos de idade, ainda tem alguma importância. Para muitos nova-iorquinos e turistas, o Plaza ainda é o lugar onde Eloise, a fictícia criança de seis anos dos livros infantis escrito e ilustrado por Kay Thompson e Hilary Knight, que inspirou um filme, trata o hotel como seu quintal e Clint Eastwood e Morgan Freeman compartilham bebidas no final da tarde no Oak Bar. E o quadro financeiro atual do Plaza tem pouca importância para as futuras noivas: o Grande Salão ainda está reservado para todas as noites de sábado em maio.

Nos primeiros anos depois que Tshuva comprou o Plaza, em 2004, ele lucrou com a explosão do setor imobiliário. Depois de uma reforma de US$ 450 milhões, a companhia de imóveis de Tshuva vendeu todos os 181 apartamentos, sem mostrar as unidades, por um total de US$ 1,3 bilhão. Os preços dos apartamentos eram tão altos que as empresas de corretagem de imóveis começaram a separar os dados das vendas do Plaza de seus relatórios gerais, pois ele estavam distorcendo o mercado.

Mas Tshuva também teve que entrar em disputa com o sindicato do hotel, lutar com os donos dos direitos à imagem de Eloise e até mesmo aguentar gritos de protesto sobre a possível perda do Plaza. A atriz Sarah Jessica Parker realizou seu 40ª aniversário no edifício em apoio ao hotel.

De acordo com dados registrados pelo website Streeteasy.com, Earl McEvoy, gerente de fundos mútuos que pagou US$ 4,79 milhões por um apartamento em outubro de 2007, vendeu sua unidade no verão passado por US$ 4 milhões. Guy Wildenstein, presidente da galeria Wildenstein & Co. em Upper East Side e dono de uma grande coleção de arte particular, vendeu o apartamento 409 e outra unidade, que comprou em agosto de 2008 por US$ 9,6 milhões, por US$ 6 milhões 15 meses depois.

Tem também Oscar S. Schafer, um sócio gerente da OSS Capital Management, companhia que foi atingida pela crise. Ele comprou a unidade de três quartos por US$ 14,6 milhões em 2008 e a vendeu por US$ 8,5 milhões em julho de 2009. E nove dos 28 apartamentos do edifício que estão no mercado tiveram cortes nos preços.

O contexto: advogados e corretores dizem que 15 Central Park West, uma propriedade nova cujos apartamentos foram vendidos mais ou menos ao mesmo tempo em que os do Plaza, teve suas últimas 10 transações vendidas bem acima do preço pedido.

Edward Mermelstein, advogado de bens imóveis que representou dezenas de compradores de apartamentos do Plaza e do 15 Central Park West, afirmou que desde que ambas as propriedades abriram, seus clientes têm preferido os apartamentos do 15 Central Park West por causa de suas amplas janelas e moradores importantes.

É possível, então, que os compradores querem viver perto do principal executivo da Goldman Sachs no 15 Central Park West, e não do principal executivo do antigo Bear Stearns no Plaza. "Você tem a sensação de que neste momento 15 Central Park West é como um clube privado", disse Mermelstein. "O Plaza ainda tem o aspecto de um hotel".

Mas até mesmo os mais desconfiados do valor relativo dos apartamentos do Plaza acreditam que uma vez que a desaceleração do mercado imobiliário acabar o edifício se tornará desejável para alguns compradores.

"Com sua singularidade e seu nome, o endereço se tornará desejado", disse Noel Berk, corretor de imóveis que vive e vendeu apartamentos no 15 Central Park West. "O Plaza é o Plaza."

Uma das disputas centrais no Plaza envolve o shopping center que a empresa de Tshuva, Elad Proprieties, criou no subsolo. O shopping incluiu várias lojas de luxo, como a confeitaria vienense Demel, a loja de joias finas Maurice e a de perfumes Krigler. Mas a camisaria, Eton, da Suécia, foi fechada.

Alan Victor, presidente da corretora Lansco, disse que, apesar de dois acordos terem sido feitos recentemente lá, ele não estava aconselhando clientes para fechar negócios por causa da localização da 5ª Avenida e da recessão econômica. "É muito arriscado colocar nossos inquilinos lá", disse.

Os executivos do Plaza responsáveis pela área de eventos do hotel disseram que, embora enfrentem tempos difíceis, o mercado está lentamente melhorando.

Eventos de negócios registrados no Grande Salão caíram 20% em 2009 em relação a 2008, disse Liz Neumark, diretor de eventos do CPS, que mantém um contrato de arrendamento por 25 anos para administrar os espaços de eventos do hotel. Ela credita a queda ao declínio nas reuniões de trabalho e nos orçamentos mais apertados das organizações sem fins lucrativos.

Shane Krige, gerente geral dos 282 quartos do hotel, que ainda opera no Plaza, disse que a ocupação dos quartos segue tendências similares.

Mas os executivos Plaza também veem alguns sinais de esperança. Neumark prevê um salto de 30% das reservas para casamentos este ano. A taxa de ocupação do hotel subiu para 90% em dezembro, de acordo com Krige. O hotel acabou de receber a sua primeira avaliação de cinco diamantes da AAA, especializada em turismo.

Resta saber se a mistura de restaurantes no prédio atenderá aos padrões dos clientes verdadeiramente da elite. A Sala Eduardiana permanece fechada, exceto para eventos privados. O restaurante Palm Court, que reabriu brevemente, fechou novamente em janeiro de 2009. Krige disse que a Fairmont, que administra o hotel, tem planos de reabrir o Palm Court a partir deste outono e ele está abrindo vagas para o restaurante. O bar e a sala Oak, o champagne Bar e o Clube Rose permanecem abertos.

O famoso chef Todd English está resolvendo os últimos detalhes da construção do restaurante ao lado da área de alimentos do subsolo. A porta-voz de English neste projeto, Willie Norkin, reiterou que todas as ofertas de pratos – que variam de bolinhos, sushi até pizza – não atendam a reputação do Plaza.

"Eu não acho que o objetivo aqui é fazer com que os pratos sejam exclusivos", disse ela. "Haverá ofertas atraentes".

Joey Alaham, dono de uma parte da sala Oak e proprietário de outros três restaurantes, disse que mesmo em face da recessão há uma história sobre o Plaza, que ainda atrai os clientes. Alaham descreveu um homem de 97 anos, que recentemente visitou o Oak Room. Ele pediu um uísque escocês Macallan e olhou para os murais recém-restaurados ao seu redor. "Sua esposa faleceu", disse Alaham. "Ele veio para lembrar o primeiro encontro".

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