Feliz 2010 a todos! :cheers:
Conforme eu havia cogitado, há algum tempo quero fazer um thread o mais completo possível sobre o Centro de São Paulo. Aproveitando as minhas férias, resolvi colocar essa ideia em prática. O thread é sobre algumas opções turísticas na Luz. O que eu queria é mostrar a realidade, não só os prédios bonitos e áreas agradáveis, mas tenho receio de fotografar (a Cracolândia é BEM próxima). Queria mostrar também os prédios da ETESP, Quartel Tobias de Aguiar, Museu de Arte Sacra, mas não consegui achar a pasta aonde deixei as minhas fotos do dia em que fui lá. No primeiro post, coloco fotos garimpadas desses lugares. Espero que curtam o passeio. 🙂
Matéria bem interessante da revista DiverCIDADE
E assim fez-se a Luz
Antigo bairro nobre, Luz luta hoje por sua revitalização
por Audrey Camargo
O grandioso conjunto arquitetônico do bairro da Luz revela como o local foi nobre e valorizado. Esse patrimônio, atualmente utilizado para abrigar instituições culturais como o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), a Sala São Paulo, Pinacoteca do Estado, entre outros, há alguns anos contrasta com a pobreza e a degradação do entorno. A revista diverCIDADE foi resgatar essa história para conhecer como se deu a transformação na região.
Formação do bairro
O local que hoje chamamos de bairro da Luz já foi um vasto campo pantanoso. Seu nome era Campo do Guaré ou Caminho do Guarepe – em linguagem indígena “matas em terras molhadas” – porque em épocas de chuva os rios Tamanduateí e Tietê transbordavam e inundavam o local.
O nome Luz veio de sua posterior ocupação, no período em que eram distribuídas datas e sesmarias pela metrópole aos colonizadores portugueses. Uma dessas datas foi doada em 1583 a Domingos Luiz – mais conhecido como o Carvoeiro. Em sua terra, Domingos Luiz ergueu uma ermida em homenagem à sua santa de devoção Nossa Senhora da Luz, cunhando definitivamente o nome do bairro.

No local onde foi erguida a ermida de Nossa Senhora da Luz hoje está o Mosteiro da Luz (Museu de Arte Sacra)
O antigo caminho do Guaré foi ocupado durante muito tempo por fazendas e o gado andava solto pelos pastos. Mas, pouco a pouco, pântanos foram aterrados, pontes construídas e locais como o Jardim da Luz e o Seminário Episcopal erguidos.
Em 1860 teve início a construção da ferrovia The São Paulo Railway Company, por iniciativa do Barão de Mauá, em associação com o capital inglês, para o escoamento da produção cafeeira do interior para o porto de Santos.
Dessa forma, o bairro recebeu em 1865 a Estação da Luz e logo depois, nas suas proximidades, a Estação Sorocabana, o que gerou profundas mudanças no bairro. A área se valorizou e a administração pública realizou obras de melhoria integrando o bairro ao centro da cidade. O comércio no entorno da estação diversificou-se para atender os viajantes com hotéis e restaurantes.

Segundo prédio da Estação Sorocabana. O terceiro prédio (contíguo), inaugurado em 1938, hoje abriga a Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP).
A Luz tornou-se um local aprazível. A atual Avenida Tiradentes era um arborizado boulevard e os paulistanos freqüentavam o Jardim da Luz nos finais de semana. Nos Campos Elíseos, bairro vizinho, a elite do café construiu seus palacetes. E bairros populares surgiram nas proximidades para abrigar os trabalhadores das ferrovias e do comércio local.
Algumas das maiores construções do arquiteto Ramos de Azevedo, principal idealizador dos edifícios públicos no período, também surgiram no final do século XIX: a Escola Politécnica, o Liceu de Artes e Ofícios e o Quartel da Força Pública.
Decadência e Revitalização
Entretanto, o desenvolvimento do bairro e de toda a cidade trouxe no bojo os fatores de sua degradação. Por não haver mais para onde expandir, e devido ao antigo problema de transbordamento dos rios Tamanduateí e Tietê, o bairro foi perdendo importância e a população começou a se dirigir para as zonas sul e oeste.
Gradualmente, no século XX, a utilização da ferrovia declinou e ela perdeu sua antiga função. Além de ter de competir com os bondes, carros e, posteriormente, ônibus e caminhões a estação passou a integrar o sistema metropolitano de transporte de passageiros das regiões mais periféricas, o que popularizou a região.
A presença de cortiços, prostituição e comércio de drogas desvalorizaram ainda mais o bairro, juntamente com a implantação do metrô e transformação da Avenida Tiradentes em via expressa. Todos esses fatores aliados ao caos trazido pelo eixo rodoviário das marginais terminaram por degradar ainda mais o bairro.
Recentemente, foi fechada uma parceria dos governos federal, estadual e municipal, para revitalização da área central da cidade, e a Luz foi contemplada com obras de benfeitoria e policiamento. Novos empreendimentos imobiliários e restauros no espaço público estão previstos, o que pode melhorar problemas urbanísticos como o aspecto visual do local.
A prefeitura passou a realizar vistorias em bares, hotéis e ruas para combater a criminalidade, prostituição e venda e consumo de drogas, principalmente na região que ficou conhecida como Cracolândia, localizada próximo ao bairro.
Mas para resgatar a vitalidade de outrora ainda há muito que recuperar, principalmente no que se refere a segurança e ao atendimento das necessidades da população que mora nas ruas do bairro. Para que todos possam, dessa forma, desfrutar desse antigo e belo espaço da cidade.
FOTOS
1 Estação Júlio Prestes. Fonte
Localizada na divisa dos bairros de Campos Elíseos e Bom Retiro, a estação Júlio Prestes foi inaugurada em 1938, com 25 mil metros quadrados, depois de 12 anos de construção, para sediar a Estrada de Ferro Sorocabana

2 Localizada na divisa dos bairros de Campos Elíseos e Bom Retiro, a estação Júlio Prestes foi inaugurada em 1938, com 25 mil metros quadrados, depois de 12 anos de construção, para sediar a Estrada de Ferro Sorocabana. E a plataforma foi construída com estrutura metálica do hangar do Graf Zeppelim,18 um gigantesco dirigível alemão que sobrevoou São Paulo em 1936, transportando dezenas de passageiros.

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4 Estação Júlio Prestes testemunhou a degradação da região central da cidade. Porém, em 1999, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo transformou o “grande hall” do edifício – uma área de 984 metros quadrados e pé-direito de 20 metros – na Sala São Paulo, um auditório com excelente acústica, capacidade para 1.500 lugares, voltada aos concertos de música erudita. De grande inovação tecnológica, a sala comporta um teto ajustável por meio de painéis que garante a qualidade de som, criando ambientes acústicos para cada repertório executado.19
O prédio tornou-se a sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp, regida pelo maestro John Neschling desde 1997. O público passou de 200 para 1.300 pessoas por apresentação.

5 Informação acrescentada por mim: A Sala São Paulo tem uma das cinco melhores acústicas do mundo em salas de concertos.

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[img]http://i359.photobucket.com/albums/oo32/kaschramm/Luz/100_2487.jpg[/img]
9 [b]Estação Pinacoteca[/b]. O prédio onde funcionou, por mais de meio século, o Dops (Delegacia de Ordem e Política Social), no centro de São Paulo, recebeu o nome de Estação Pinacoteca e abriga parte do programa de exposições temporárias e as mostras infantis realizadas pela Pinacoteca durante o ano. Inaugurado em 1914, e projetado por Ramos de Azevedo para servir de armazém da Cia. Sorocabana, o prédio foi totalmente restaurado de acordo com projeto do arquiteto Haron Cohen. Hoje, o espaço de 8000m2 apresenta condições técnicas ideais para as atividades museológicas que comporta.
[img]http://i359.photobucket.com/albums/oo32/kaschramm/Luz/100_2509.jpg[/img]
10 O local onde ficavam confinados os presos no antigo prédio do DOPS deu lugar ao Memorial da Liberdade, que conta com quatro celas e um totem multimídia, onde o público tem acesso ao acervo de fichas e prontuários de pessoas que passaram por lá, como Monteiro Lobato e Mário Covas, ou tiveram seu nome registrado na época da ditadura, como o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ator Paulo Autran. Esse espaço está hoje sob responsabilidade do Arquivo do Estado de São Paulo. Consolidando também o papel educativo desempenhado pelo Museu, são desenvolvidas na Estação Pinacoteca atividades de capacitação de professores.
[img]http://i359.photobucket.com/albums/oo32/kaschramm/Luz/100_2514.jpg[/img]
9 [url="http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.6eb44e481fba6c0ff828f049c19714a0/?vgnextoid=e475b2205add8010VgnVCM1000001c01a8c0RCRD” target=”_blank”>Fonte

10 Para quem tiver maior interesse no Memorial, há um vídeo no final do thread. Não quero deixar o tópico muito carregado.

11 Parque da Luz.

12 Também conhecido como Jardim da Luz, possui cerca de 113 metros quadrados e é o mais antigo jardim botânico da capital paulista. Ele foi criado ainda no período colonial, quando a Coroa Portuguesa obrigou a criação de hortos pela cidade.

13 No início do século 20, o local passou pela sua maior reforma, com novo paisagismo, bosques, iluminação e obras de arte. Em 1981, o parque foi tombado como patrimônio histórico, abrigando hoje, importante acervo da Pinacoteca do Estado, com cerca de 50 esculturas de artistas como Lasar Segall, Leon Ferrari, entre outros.

14 Fonte

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18 Gruta artificial

19 [b]Pinacoteca do Estado de São Paulo[/url].

20 Inaugurada em 1905, a Pinacoteca do Estado foi o primeiro museu de arte do Estado de São Paulo.

21 Seu acervo conta com aproximadamente 4 mil obras de artistas nacionais, como Anita Malfati, por exemplo, e internacionais como Bourdelle e Rodin. Este último levou 200 mil pessoas à Pinacoteca, em 1995, na exposição de maior público que este museu já comportou.

22 Fonte

23 O projeto original de Ramos de Azevedo nunca foi concluído, na minha opinião, felizmente.

24 Nessa foto, o brilho passa a impressão do ambiente ser aberto ao ar livre, mas na verdade há uma clarabóia semelhante a da foto anterior.

25 Nos anos 90 a Pinacoteca passou por uma reforma, assinada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha.

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29 Estação da Luz (foto tirada na Virada Cultural). Aberta ao público em 1º de março de 1901, a Estação da Luz ocupa 7,5 mil m² do Jardim da Luz, onde se encontram as estruturas trazidas da Inglaterra que copiam o Big Ben e a abadia de Westminter. Não houve inauguração, já que o tráfego foi sendo deslocado aos poucos, mas não demorou muito para que o novo marco da cidade fosse considerado uma sala de visitas de São Paulo. Todas as personalidades ilustres que tinham a capital como destino eram obrigadas a desembarcar no local. Empresários, intelectuais, políticos, diplomatas e reis foram recepcionados em seu saguão e por lá passavam ao se despedirem.

30 A estação tornou-se porta de entrada também para imigrantes, promovendo a pequena vila de tropeiros a uma importante metrópole. Esta importância, concedida à São Paulo Railway Station, como era oficialmente conhecida, durou até o fim da Segunda Guerra Mundial. Após este período, o transporte ferroviário foi sendo substituído por aviões, ônibus e carros, muito mais rápidos que os trens.

31 Em 1946, o prédio da Luz foi parcialmente destruído por um incêndio. A reconstrução da estação foi bancada pelo governo e se estendeu até 1951, quando foi reinaugurada. Ela ainda passou por outras reformas e restaurações. Já em 1982 o complexo arquitetônico da Estação da Luz foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat).

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37 Museu da Língua Portuguesa. Recursos de interatividade e tecnologia para apresentar os conteúdos são os diferenciais de um dos museus mais frequentados do Brasil. O acervo é exposto de forma inovadora e inusitada. A visitação é feita de cima para baixo. No auditório do terceiro andar pode ser assistido um vídeo de dez minutos sobre o surgimento da língua portuguesa. Depois a pessoa passa para a Praça da Língua, onde um audiovisual, com textos projetados por toda a sala, ilustra a riqueza do idioma falado no Brasil.

38 No segundo andar uma galeria exibe uma tela de 106 metros com projeções simultâneas de filmes sobre o uso cotidiano do português. Totens – esta seção leva o nome de “Palavras Cruzadas” – explicam as várias influências de outros povos e línguas na formação do idioma. Uma linha do tempo que mostra a história do idioma e uma sala (Beco das Palavras) com jogo eletrônico didático sobre a origem e o significado das palavras encantam pelos recursos interativos. Completa este andar uma exposição de painéis que mostram a história do prédio que abriga o museu e a Estação da Luz.
Por fim, o primeiro andar possui um espaço para mostras temporárias. A inauguração homenageou "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa. Já houve também exposições sobre Clarice Lispector e Gilberto Freyre.
Fonte

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40 Centro de estudos musicais Tom Jobim

41. Igreja São Cristóvão

Espero que gostem, e aguardem os próximos threads: região da Sé e Parque Dom Pedro (Centro Novo), Republica e região do Teatro Municipal (Centro Velho), e Liberdade. Espero poder publicar todos ainda nessas férias 😀