Pra quem não costuma participar dos debates aqui no fórum, sou um dos mais fundamentalistas e chatos "anti-gramadenses". Por questões culturais e teóricas, acho impossível aceitar pacificamente a distorção da arquitetura gramadense, que chegou a pontos esdrúxulos de imitar técnicas construtivas como adorno de fachadas. Enfim, não vou me demorar nisso pq já discutimos exaustivamente em tópicos mais convenientes.
O fato é que Gramado tem seu charme. Um tipo charme que é impossível encontrar em outro local do Brasil.
Abstraindo a péssima qualidade da arquitetura, nos sentimos realmente em um local do famigerado "primeiro mundo". E nem falo da limpeza, jardins bem cuidados, comércio qualificado, ou paisagem imitando européia. Muito menos do clima. Falo da EDUCAÇÃO.
Os pedestres em Gramado, realmente tem prioridade. Sim, aquele motoqueiro que está fazendo uma curva a toda velocidade, VAI parar pra você atravessar a rua. É incrível, mas todos os carros param para o pedestre caminhar. È a população e os próprios visitantes primando pela boa experiência turística da cidade.
Claro que, podemos observar que as mesmas pessoas que te respeitam em Gramado, são as que saem atropelando todo mundo em Porto Alegre, Novo Hamburgo e etc.
Novamente abstraindo a breguice kitsch da arquitetura, Gramado é sim, "chic" (pra não usar o hoje já pejorativo ‘chique’). Exageradamente às vezes, beirando o brega sim. Mas o comércio e a rede hoteleira e gastronômica de altíssima qualidade garantem um ótimo passeio, e tornam Gramado um dos principais destinos turísticos nacionais.
Por vários minutos, é possível se sentir em Campos de Jordão nesta época de verão, quando os gaúchos preferem as praias. Isso porque a quantidade de turistas paulistas é surpreendente. O sotaque paulista é ouvido pelos quatro cantos. Todos parecem gostar muito do passeio.
Gramado cumpre tudo que promete. Tem TODOS seus problemas. Culturais, ecológicos, etc. Mas cumpre tudo que promete como destino turístico.
Notem que a decoração natalina ainda persiste. O Natal Luz foi encerrado apenas ontem. Apesar disso, não fotografei muito a decoração natalina, que era bem mais completa do que os poucos pinheiros que saíram por acidente nas fotos.
Neste thread, vou mostrar um pouco da área urbana de Gramado. Tentei fotografar tudo que parecesse interessante mostrar – inclusive o que poucos tem mostrado, que são os pequenos chalézinhos de madeira que foram típicos até o começo dos anos 90. Pode acabar formando uma imagem de Gramado um pouco diferente do ‘luxo’ que muitos imaginam, mas que conste que essas casinhas são, hoje, minoria.
01 – A igreja de São Pedro, com a casa paroquial

02 – Igreja de São Pedro, ainda com a decoração de natal

03 – Caminho na frente da igreja

04 – Vista do belvedere próximo ao centro da cidade (Vale do Quilombo). Incrível como está sendo devastado e como estão despontando casarões bregas no alto desses morros.

05 – O Belvedere

06 – Resquícios da Gramado de outrora parte I: lateral de um chalézinho típico

07 – O chalézinho inteiro, já modificado pro comércio. A ‘inocência’ lembra muito os municípios vizinhos de Gramado, chegando a ficar já deslocado na quantidade exorbitante de breguice de concreto da cidade.

08 – Fake neo-colonial

09 – Resquícios da Gramado de outrora parte I: chalézinho pré-fabricado que foi "onda" em Gramado logo no começo do crescimento turístico da região. Pena a cor horrorosa.

10 – Outro nas mesmas características do anterior.

11 – Mais um, este decorado pro natal

12 – Outro chalézinho típico da cidade. Todos estão sumindo pra dar lugar aos prédios de concreto armado com inspiração "suíça", "bávara" ou raio que o parta, desde que passe climas brego-serranos o bastante pra obter desconto de IPTU.

13 – Um dos primeiros grandes hotéis da cidade: Hotel Serra Azul. Representa o "estilo gramadense" surgido na década de 80. Ainda não haviam os exageros de imitação do enxaimel. A onda eram os lambrequins e trabalhos em madeira, inspirados pelos artesãos locais. Pena que tudo isso se perverteu, Gramado seria muito mais charmosa com prédios assim.

14 – Mesmo hotel

15 – Prefeitura de Gramado. Na foto um dos vários onibus turísticos que estão sempre circulando pela cidade. O turismo em Gramado acontece o ano todo.

16 – Kitsch arquitetônico

17 -Lambrequins do hotel Serra Azul – ainda da época com a inspiração na concepção artística dos artesões locais

18 – Torres – e a poluição visual dos fios elétricos ainda presente nas vias transversais

19 – Chalé pré fabricado atual, usado pra fins comerciais

20 – Igreja de São Pedro e um pinheiro

21 – Receptivo turístico, na praça Major Nicoletti.

22 – Algumas das árvores, decoradas pelos comerciantes da rua num concurso. Ao fundo, um exemplar da nova moda serrana: imitação de tábuas na fachada. Pelo menos esqueceram um pouco o enxaimelóide

23 – Encontro das duas igrejas de Gramado (a luterana está à esquerda, ao fundo.)

24 – Os canteiros sempre bem cuidados de Gramado.

25 – Turistas fazendo um passeio. Há várias opções de passeios turísticos pela cidade. Particularmente acho Gramado pequena demais pra um passeio desses… Mas como a carrodependência não deixa as pessoas curtirem uma boa caminhada pelas simpáticas e abandonadas calçadas do município… [ressalto ainda que tem jardineiras mais bonitinhas que essa, que fazem o tour]

26 – Os relógios, incluídos durante a revitalização da rua principal. Ainda parecem novos. Vandalismo é raro dentro de "parques temáticos"!

27 – A rua principal (Borges de Medeiros), e a antropofagia urbana. Lotes constantemente em renovação.

28 – A bela rua coberta, cheia de vegetação e de restaurantes/bistrôs bacanas

29 – De novo a rua coberta e sua cobertura translúcida. A vegetação é um charme a parte!

30 – Mesinhas na rua coberta. Uma ideia ótima!

31 – Mais uma

32 – Mais uma

33 – Chalé com lambrequins e demais madeiras provavelmente engolidas de algum prédio histórico autêntico da região

34 – Parece que alguém roubou a vareta do maestro… É, na verdade vandalismo existe em parques temáticos…

35 – Renas ainda da decoração de natal. Cada casa comercial decorou sua rena.

36 – Livraria, surpreendentemente tem uns títulos bons, apesar do sempre destaque aos best sellers

37 – Igreja de São Pedro e suas flores

38 – Igreja luterana "do relógio". Não cheguei a me aproximar dela desta vez, mas enxerga-se a quantidade de hortênsias no morro onde ela se situa.

Rua paralela a rua principal, um local onde a cidade se relaciona mais consigo mesma do que com o turismo, embora o perfil esteja mudando:
39 – Prédio fake de madeira

40 – Remanescentes da gramado de outrora – um chalézinho todo modificado

41 – Residencial

42 – Residencial II

42 – Mais chalézinhos da Gramado de outrora. Não devem durar mais uma década.

43 – Remanescentes da Gramado de poucos anos atrás: as casas ‘serranas’, algumas bacanas e sinceras como esta, estão dando lugar agora aos prédios.

44 – Prédio de influencia norte-americana, com torre pra ‘germanizar’

45 – Beco residencial

46 – Residencial

47 – Mais um dos antigos chalés modificados pro comércio.

48 – Outro dos antigos chalés modificados

49 – Mais um chalé sobrevivente, modificado. Difícil imaginar que Gramado já esteve cheia deles. Hoje são minoria [embora minha seleção de fotos possa fazer parecer que são muitos]

50 – Prédio velho

51 – Neo-o-que-mesmo? Gramado perdendo a própria identidade fake… A onda é lembrar qualquer coisa serrana ou européia, vale tudo: só não vale perder desconto de IPTU!

52 – Rua charmosa no centro

53 – Um dos chalés que insistem em desafiar a especulação imobiliária e turística

54 – Hotel

55 – Vista da Borges de Medeiros, sem fiação elétrica aérea e com bom mobiliária urbano e áreas de lazer. Fake ou não, é inegável que é um dos lugares mais aconchegantes pra se visitar no Brasil.

56 – Eca: enxaimelóide!

57 – Hotel casa da montanha

58 – A pouco vista igreja luterana da IELB. Me pareceu um prédio de linhas retas, recentemente adaptado aos gramadismos.

59 – A Borges, se afastando do ‘centro turístico’

60 – Prédio com painel de mosaico

61 – Rua perpendicular à Borges, se afastando da área "turística"

62 – Fonte

63 – Um dos clássicos barezinhos art-deco brasileiros, bem provavelmente dos anos 50. Incrível como resiste em decadência, em plena rua Borges de Medeiros, no centro de Gramado. Parece parado no tempo por dentro, com características de boteco do interior.

64 – Outra rua perpendicular

65 – O que é este "Bistekão"? hehe Até os fakes dão um show de arquitetura perto disso

66 – O mesmo fakezão de antes

67 – A IELB de novo

68 – Casa da Montanha e jardim

69 – Casa da Montanha e jardim II

70 – Casa da Montanha e Anjos da decoração natalina!

71 – Borges e mobiliário urbano

72 – Casa de antiguidades

73 – Rua perpendicular à Borges

74 – Um "protesto" aos enxaimelóides, ainda que seja tão medíocre quanto

75 – Mais da Borges

76 – Pra mim o fake mais pesadão, exagerado e feio EVER!

77 – Gramado também tem decadência! Momento portoalegrense na serra. Mas calma, está em obras apenas.

78 – Em frente ao local da foto anterior, mais um chalé persistindo. Gramado e suas "rugosidades", utilizando o conceito do geógrafo Milton Santos.

79 – Essa imobiliária preferiu ficar sem o desconto de IPTU e lançar uma fachada de vidro bem no centro de Gramado. Deve estar faturando com a fakezada que anda vendendo.

80 – Área central de Gramado

81 – Chalezão típico , ainda são um pouco mais comuns em áreas afastadas do centro.

82 – Dentro do mini-mundo

83 – Por poucos milésimos de segundos dá pra se fingir estar na Alemanha…hehehe Réplica reduzida do castelo de Neuschwanstein, no Mini-Mundo

84 – Outro chalé típico, fruto dos artesões/marceneiros da cidade que não existem mais. No caso, o marceneiro que idealizou o Mini Mundo e a Prefeitura de Gramado.

85 – Entrada do Mini-mundo.

Por enquanto é só!
Até porque pouco depois disso caiu um toró e nem deu pra mostrar mais coisas 😛