História do Bairro
O Bairro de São Cristóvão teve sua origem na grande sesmaria pertencente aos jesuítas, que se estendia do Rio Comprido até Inhaúma e que entre 1572 e 1583, foi desmembrada fazendo surgir três engenhos denominados: Fazenda do Engenho Velho; Fazenda do Engenho Novo e Fazenda de São Cristóvão. Seu nome se deve à igrejinha dedicada ao santo erguida pela Companhia, junto à praia habitada apenas por alguns pescadores.
Quando D. João chegou ao Brasil, em 1808, o negociante atacadista Elias Antônio Lopes, era proprietário da melhor casa-quinta do Século XVIII, que ficava numa elevação como um oásis numa região bastante alagadiça. Elias Antônio Lopes resolveu doar a D. João sua quinta, que na época era um vasto casarão bastante confortável, mas não suficiente para ser residência real. Então, o próprio negociante mandou que um arquiteto inglês, John Johnston, reformasse o prédio.
Nesta época foi colocado em sua entrada o Portão Monumental, também um regalo dado a D. João, pelo General Lord Percy, Duque de Northumberland. O portão era semelhante ao que existia em sua residência na Inglaterra e foi colocado à frente do Paço de São Cristóvão. Em 1909 o portal for transferido para a entrada do Jardim Zoológico onde ainda se encontra.
Em 1817 passou a residir no Palácio, o Príncipe herdeiro da Coroa – D. Pedro, recém casado com D. Maria Leopoldina Josefa Carolina, Arquiduquesa da Casa de Habsburgo, a mais poderosa dinastia mundial da época. Nela D. Leopoldina viria a morrer de parto, em 1826 e em seus jardins cresceu D. Pedro II. Além do Imperador D. Pedro II, nele também nasceu e cresceu outro monarca, D. Maria da Glória, sua irmã e futura D. Maria II de Portugal, que ascendeu ao trono em 1834, graças a seu pai D. Pedro, depois da vitória na Revolução Libertadora Portuguesa.
O grande Parque da Quinta da Boa Vista foi uma obra de August Glaziou, que elaborou um projeto integral de paisagismo, que foi realizado nos anos sessenta do século XIX. As formas curvilíneas dos caminhos, rios, lagoas e canteiros ajardinados constrastam com a alameda retilínea de sapucaias que segue o eixo central que dá acesso ao Palácio.
Outros trabalhos de Glaziou na cidade foram os jardins: do Passeio Público e do Campo de Santana e em Petrópolis, os jardins do Paço Imperial, atual Museu Imperial.
Com a República, a Quinta onde foi reunida a Constituinte de 1891, se transformou para abrigar o Museu Nacional, que antes ficava no Campo de Santana. Quando Nilo Peçanha assumiu a Presidência, o seu estado era lamentável e em seus jardins já haviam sido construídas toscas residências, por isto, em 1909 todo o parque foi restaurado e cercado,
tendo seus jardins guardado as características que lhe havia dado Glaziou.
O Bairro de São Cristóvão com o tempo perdeu seu glamour da época do Império e foi aos poucos se degradando, atualmente apresenta formas diferenciadas, abrigando muitas indústrias, gráficas, serviços, auto peças, sendo habitado em sua maioria por uma população de baixa renda.

O Solar da Marquesa de Santos, é um sobrado de Estilo Colonial do final do Século XVIII, que recebeu uma reforma classiciznate por volta de 1825 que lhe deu a feição atual. Tem como destaque o frontão e os frisos ornamentais da fachada e seu interior, ricamente decorado com estuqyes e afrscos, à maneira renascentista. Foi projetado por Pedro José Pézèrat e construído por Pedro Alexandre Cavroé, em 1826, sendo sua pintura mural de autoria de Pedro do Amaral. Possue um belíssimo salão oval com escadas curvas que dá para sua parte posterior.
A casa foi residência também do Barão de Mauá, ao final do Seculo XIX e depois pertenceu ao médico Abel Parente que nela instalou uma Casa de Saúde, depois pertenceu ao Ministério da Saúde e finalmente passou para o Estado da Guanabara no Governo de Carlos Lacerda, que o cenverteu em Museu para os festejos do IX Centenário da Cidade.

Vista do Paço de São Cristóvão, foto de Marc Ferrez, tirada
em 1870, quando ainda não existiam os jardins de Glaziou.
O grande espaço vazio, à esquerda, é hoje acupado pela
Tijuca, Andaraí e Grajaú.
O prédio do Museu Nacional ao longo do tempo teve suas características bastante modificadas: às obras iniciais de Estilo Neogótico de John Johnston, sucedeu o Estilo Português de Manuel da Costa, em 1822; depois a linguagem Neoclássica de Pedro José Pézèrat, de 1828 a 1831; de Manoel de Araújo Porto-Alegre depois de 1847 e Theodoro Marx entre 1857 e 1868, que foram mantidas nas intervenções posteriores.
Parque da Quinta da Boa Vista

A Quinta da Boa Vista é atualmente um dos principais locais de lazer da população do Rio de Janeiro, que pode levar suas crianças para brincar nos maravilhosos jardins de Glaziou, com suas grutas, rios, lagos e canteiros, sem falar do imperdível visita ao Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, que também fica localizado na Quinta e por onde se entra através do Portal Monumental que na época do Império era o portão que dava acesso ao Paço Imperial.
Nos jardins da Quinta o Maestro Issac Karabschevsky regeu inúmeras vezes as apresentações da Orquestra Sinfônica Brasileira no Projeto Aquarius e chegou até a encenar à beira do Lago, completamente lotado, a Ópera Aída, numa das mais belas apresentações já realizadas ao ar livre e para o público em geral.
Fonte:http://www.marcillio.com/rio/enscrist.html
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