{"id":129745,"date":"2010-01-03T00:42:32","date_gmt":"2010-01-03T05:42:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.skyscrapercity.com\/showthread.php?t=1037003"},"modified":"2010-01-03T00:42:32","modified_gmt":"2010-01-03T05:42:32","slug":"uberlandia-na-revolucao-de-1930","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mereja.media\/index\/129745","title":{"rendered":"Uberl\u00e2ndia na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930"},"content":{"rendered":"<div>&quot;Primeira reportagem da s\u00e9rie &#8220;Uberl\u00e2ndia na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930&#8221;, que o CORREIO publicar\u00e1 nas edi\u00e7\u00f5es de domingo.&quot;<\/p>\n<p><\/p>\n<div align=\"center\"><b><font size=\"4\">Um canh\u00e3o, dois tiros e muita hist\u00f3ria<\/font><\/b><\/p>\n<p><i>Armamento usado na guerrilha na divisa de Minas com Goi\u00e1s foi fabricado em Uberl\u00e2ndia por Ces\u00e1rio Crosara<\/i><\/p>\n<p>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i45.tinypic.com\/sfidu1.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><br \/>\n<font size=\"1\">Estrutura da antiga ponte Afonso Pena, atingida por um dos tiros do canh\u00e3o &#8220;Em\u00edlio&#8221;<\/font><\/div>\n<p>\u00danica pe\u00e7a exposta no Museu Hist\u00f3rico Nacional do Rio de Janeiro que foi produzida em Uberl\u00e2ndia, o canh\u00e3o &#8220;Em\u00edlio&#8221; foi decisivo em uma das \u00faltimas batalhas da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, na divisa entre Minas Gerais e Goi\u00e1s, na antiga ponte Afonso Pena. <\/p>\n<p>Na primeira reportagem da s\u00e9rie &#8220;Uberl\u00e2ndia na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930&#8221;, que o CORREIO publicar\u00e1 nas edi\u00e7\u00f5es de domingo, o personagem principal \u00e9 um canh\u00e3o fabricado em Uberl\u00e2ndia e que j\u00e1 rodou v\u00e1rias cidades antes de ser adicionado ao acervo do P\u00e1tio dos Canh\u00f5es do Museu Hist\u00f3rico Nacional, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Fabricado na fundi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Crosara, do patriarca e imigrante italiano radicado em Uberl\u00e2ndia, Ces\u00e1rio Crosara, na antiga rua da Esta\u00e7\u00e3o, hoje avenida Jo\u00e3o Pessoa, o \u00fanico canh\u00e3o da tropa mineira na frente de batalha goiana foi um dos principais respons\u00e1veis pela rendi\u00e7\u00e3o dos goianos em novembro de 1930. <\/p>\n<p>\u00c0s margens do rio Parana\u00edba, mineiros e goianos se confrontaram na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930. Minas Gerais, Para\u00edba e Rio Grande do Sul apoiavam Get\u00falio Vargas na tentativa bem-sucedida de depor o presidente Washington Lu\u00eds. O Tri\u00e2ngulo Mineiro ficava entre dois estados inimigos, S\u00e3o Paulo e Goi\u00e1s. As tropas volunt\u00e1rias mineiras, em menor n\u00famero, enfrentavam com espingardas winchester os soldados goianos, famosos pela excelente pontaria, e armados com fuzis. <\/p>\n<p>Mas dois tiros do canh\u00e3o &#8220;Em\u00edlio&#8221; ajudaram a alterar essa desigualdade num\u00e9rica e de arsenal no fronte de batalha no rio Parana\u00edba. &#8220;O primeiro tiro para acertar a mira atingiu a igreja de Itumbiara. Itumbiara chamava Santa Rita do Parana\u00edba e a igreja era de Santa Rita dos Imposs\u00edveis ou dos Milagres. O tiro derrubou uma das duas torres da igreja. E o segundo tiro acertou o cabo de a\u00e7o da ponte p\u00eansil. A ponte arriou e o pessoal de Goi\u00e1s levantou bandeira branca&#8221;, disse o engenheiro Rugles Crosara, 77 anos, um dos sete filhos ainda vivos de Ces\u00e1rio Crosara.<\/p>\n<div align=\"center\"><b>Engenhosidade italiana<\/b><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i47.tinypic.com\/98efpt.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><br \/>\n<i>Rugles Crosara \u00e9 um dos sete filhos ainda<br \/>\nvivos de Ces\u00e1rio Crosara<\/i><\/div>\n<p>\nO canh\u00e3o &#8220;Em\u00edlio&#8221;, na verdade, era uma esp\u00e9cie de morteiro, fabricado com materiais improvisados e com a engenhosidade do italiano Ces\u00e1rio Crosara. Os Crosaras possu\u00edam uma fundi\u00e7\u00e3o e f\u00e1brica de m\u00e1quinas e equipamentos para lavouras, montada em 1927, onde hoje \u00e9 a avenida Jo\u00e3o Pessoa, em frente ao Terminal Central. <\/p>\n<p>&#8220;Meu pai morou comigo at\u00e9 morrer, eu tinha a curiosidade de sempre ficar perguntando sobre a fabrica\u00e7\u00e3o do canh\u00e3o. Nas avenidas de Uberl\u00e2ndia havia postes de a\u00e7o. Eram mais grossos e depois afinavam. O poste para fabricar o morteiro foi retirado de um local em frente ao Col\u00e9gio Estadual Gin\u00e1sio Mineiro, onde hoje \u00e9 o Museu,&#8221;, disse Rugles Crosara, que nasceria cerca de dois anos ap\u00f3s o encerramento do conflito na divisa com Goi\u00e1s. <\/p>\n<p>O poste seria s\u00f3 o primeiro elemento improvisado para a constru\u00e7\u00e3o do armamento. &#8220;O papai pegou um tubo de oxig\u00eanio, ele era agente da White Martins, serrou e colocou o tubo de a\u00e7o dentro do outro e encheu de chumbo para fazer um lastro, porque sen\u00e3o, quando a bala sa\u00edsse, o canh\u00e3o poderia ser jogado para tr\u00e1s&#8221;, disse o filho do inventor. Como n\u00e3o havia chumbo ou estanho suficiente para ser inserido na culatra do canh\u00e3o, o capit\u00e3o Jos\u00e9 Percival, que comandava militarmente as tropas revolucion\u00e1rias no Tri\u00e2ngulo Mineiro, requisitou os metais das tipografias uberlandenses. <\/p>\n<div align=\"center\"><b>Proj\u00e9teis precisavam atravessar o rio<\/b><\/div>\n<p>\nAntes de seguir de caminh\u00e3o at\u00e9 a frente de batalha na ponte Afonso Pena, divisa de Minas Gerais com Goi\u00e1s, na localidade ainda denominada de Alvorada, atualmente Arapor\u00e3, o canh\u00e3o &#8220;Em\u00edlio&#8221; foi testado em Uberl\u00e2ndia, na regi\u00e3o onde hoje fica o bairro Roosevelt. <\/p>\n<p>Os testes serviam para verificar a pontaria e a capacidade de lan\u00e7ar as balas. O rio tinha cerca de 400 metros de largura e a dist\u00e2ncia entre os acampamentos goiano e mineiro era de aproximadamente 600 metros. <\/p>\n<p>Antes de Ces\u00e1rio Crosara construir o canh\u00e3o, os militares pensaram em utilizar uma esp\u00e9cie de catapulta para atingir as tropas inimigas do outro lado do rio. &#8220;Eles queriam fazer uma atiradeira com pneu de trator, mas n\u00e3o alcan\u00e7ava esta dist\u00e2ncia (600 metros)&#8221;, disse Rugles Crosara. <\/p>\n<div align=\"center\"><b>Um proj\u00e9til disparado e 2 tiros ouvidos<\/b><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i50.tinypic.com\/30vnqcw.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><br \/>\n<i>Mariana Crosara, filha de Rugles Crosara,<br \/>\nem visita o acervo onde est\u00e1 o canh\u00e3o do<br \/>\nav\u00f4<\/i><\/div>\n<p>\nUma das curiosidades do canh\u00e3o &#8220;Em\u00edlio&#8221; contada pelo engenheiro Rugles Crosara, um dos filhos de Ces\u00e1rio Crosara, inventor do armamento, \u00e9 que o canh\u00e3o disparava um proj\u00e9til, mas se escutavam dois tiros. &#8220;Os goianos ficavam impressionados. Porque todo canh\u00e3o d\u00e1 s\u00f3 um tiro, mas esse dava dois tiros, porque o primeiro era da p\u00f3lvora que estava dentro para empurrar a dinamite&#8221;, disse Crosara. &#8221;As balas foram feitas usando lata de soda, igual lata de leite em p\u00f3. Furava a tampa e colocava dinamite, em volta da latinha colocava grampo de cerca, prego, parafuso ou peda\u00e7o de chapa cortado para estilha\u00e7ar.&#8221; <\/p>\n<p>Rugles Crosara n\u00e3o sabe ao certo a raz\u00e3o de o canh\u00e3o ter sido batizado como &#8220;Em\u00edlio&#8221;, mas tem um palpite. &#8220;O segundo filho do papai chamava-se Em\u00edlio Valentim.&#8221;<\/p>\n<div align=\"center\"><b>Pe\u00e7a passou por v\u00e1rios museus<\/b><\/div>\n<p>\nEncerrada a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, o canh\u00e3o &#8220;Em\u00edlio&#8221; foi levado para Juiz Fora, na Zona da Mata, sede das for\u00e7as revolucion\u00e1rias em Minas Gerais. A hist\u00f3ria do armamento \u00e9 cheia de idas e vindas. Segundo o livro &#8220;Arapor\u00e3, Terra da Esperan\u00e7a&#8221;, da escritora Maria Hon\u00f3rio de Castro, o canh\u00e3o foi incorporado ao Museu de Belo Horizonte, depois ficou exposto por um per\u00edodo na entrada do Museu do Ipiranga, em S\u00e3o Paulo (SP), antes de ser anexado ao acervo do Museu Hist\u00f3rico Nacional do Rio de Janeiro. No museu carioca, a pe\u00e7a foi registrada, inicialmente, como sendo oriunda de Juiz de Fora. <\/p>\n<p>Em 1997, com a ajuda de colaboradores, a origem do canh\u00e3o foi revisada no registro do museu. No entanto, por um lapso na documenta\u00e7\u00e3o apresentada, a autoria da pe\u00e7a foi atribu\u00edda ao filho de Ces\u00e1rio Crosara, Pac\u00edfico Crosara, que, na \u00e9poca da fabrica\u00e7\u00e3o, tinha 20 e poucos anos. &#8220;Meu irm\u00e3o deu a ideia de colocar uma esp\u00e9cie de gatilho para n\u00e3o precisar usar o rastilho com p\u00f3lvora. Mas n\u00e3o houve tempo para isso&#8221;, disse Rugles Crosara. <\/p>\n<p>De acordo com o chefe da Reserva T\u00e9cnica do Museu Hist\u00f3rico Nacional, Jorge Cordeiro, a retifica\u00e7\u00e3o no registro pode ser realizada com a comprova\u00e7\u00e3o documental da autoria da pe\u00e7a. &#8220;O museu est\u00e1 sempre aberto para estas retifica\u00e7\u00f5es, porque as nossas pesquisas n\u00e3o s\u00e3o fechadas. Hoje no registro consta na fabrica\u00e7\u00e3o somente Minas Gerais. O acervo passou por um novo invent\u00e1rio h\u00e1 cerca de quatro anos&#8221;, afirmou Cordeiro. <\/p>\n<div align=\"center\"><b>Produtor do canh\u00e3o &#8220;Em\u00edlio&#8221; nasceu na regi\u00e3o de Veneza<\/b><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i49.tinypic.com\/s6r4at.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><br \/>\n<i>Ces\u00e1rio Crosara mudou-se para Uberl\u00e2ndia<br \/>\nem 1925 e faleceu em 1969<\/i><\/div>\n<p>\nNome de avenida no bairro Roosevelt, regi\u00e3o norte de Uberl\u00e2ndia, Ces\u00e1rio Crosara chegou \u00e0 regi\u00e3o do Tri\u00e2ngulo Mineiro em 1894, quando a fam\u00edlia adquiriu uma propriedade em Sacramento. Mas antes de chegar ao Brasil e, posteriormente a Uberl\u00e2ndia, Crosara passou a inf\u00e2ncia e juventude na It\u00e1lia. Batizado na &#8220;Velha Bota&#8221;, como Crosara Cesare Giovanni Giacomo, nasceu em 9\/12\/1869, na cidade de Gambarare, hoje Mira, na prov\u00edncia de Veneza. <\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o militar tamb\u00e9m teve in\u00edcio na It\u00e1lia. O pai de Ces\u00e1rio, Virgilio Giovanni Crosara, resolveu partir para o Brasil com a fam\u00edlia diante das dificuldades vividas na It\u00e1lia no fim do s\u00e9culo 19, mas Ces\u00e1rio foi sorteado para o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio italiano. O pai retornaria para busc\u00e1-lo no fim de 1889. <\/p>\n<p>No ano seguinte, Ces\u00e1rio Crosara j\u00e1 trabalhava numa fazenda cafeeira perto de Ribeir\u00e3o Preto (SP), onde rapidamente passou a administrador, por dominar a l\u00edngua italiana, al\u00e9m de sete dialetos de Veneto, e ter bom conhecimento de franc\u00eas. Era o perfil ideal para lidar com a leva de imigrantes italianos que chegava aos cafezais paulistas. <\/p>\n<p>Em meados de 1925, mudou-se para Uberl\u00e2ndia para montar uma oficina mec\u00e2nica instalada ao lado da E. E. de Uberl\u00e2ndia. Com uma vida marcada por intensa atividade produtiva na fundi\u00e7\u00e3o de onde saiu o canh\u00e3o &#8220;Em\u00edlio&#8221;, Ces\u00e1rio Crosara tamb\u00e9m produzia equipamentos agr\u00edcolas, premiados em feiras brasileiras. <\/p>\n<p>Prestes a completar 100 anos, Ces\u00e1rio Crosara faleceu em Uberl\u00e2ndia no dia 15\/9\/1969. Todos os registros da fam\u00edlia fazem parte do acervo do engenheiro Rugles Crosara. &#8220;O papai teve 26 filhos, sendo 14 do primeiro casamento. E 12 do segundo. Hoje somos sete. Ainda tenho uma irm\u00e3 viva do primeiro casamento dele&#8221;, disse Rugles Crosara.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.correiodeuberlandia.com.br\/texto\/2010\/01\/03\/42640\/um_canhao,_dois_tiros_e_muita_histo.html\" >http:\/\/www.correiodeuberlandia.com.b&#8230;ita_histo.html<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Primeira reportagem da s\u00e9rie &#8220;Uberl\u00e2ndia na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930&#8221;, que o CORREIO publicar\u00e1 nas edi\u00e7\u00f5es de domingo.&quot; Um canh\u00e3o, dois tiros e muita hist\u00f3ria Armamento usado na guerrilha na divisa de Minas com Goi\u00e1s foi fabricado em Uberl\u00e2ndia por Ces\u00e1rio Crosara Estrutura da antiga ponte Afonso Pena, atingida por um dos tiros do canh\u00e3o &#8220;Em\u00edlio&#8221; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-129745","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129745"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129745\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}