{"id":190446,"date":"2010-01-17T08:22:26","date_gmt":"2010-01-17T13:22:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.skyscrapercity.com\/showthread.php?t=1047297"},"modified":"2010-01-17T08:22:26","modified_gmt":"2010-01-17T13:22:26","slug":"especial-estadao-sp-o-transporte-e-as-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mereja.media\/index\/190446","title":{"rendered":"[Especial Estad\u00e3o SP] &#8211; O transporte e as cidades"},"content":{"rendered":"<div><b>Desafio na cidade que se espalha<\/b><\/p>\n<p>\nin -http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20100117\/not_imp496996,0.php<\/p>\n<p>\n<i>Bairros distantes ainda carecem de infraestrutura, enquanto a rede de transportes n\u00e3o comporta a superpopula\u00e7\u00e3o<\/i><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20100117\/img\/3.3.imagem_transporte2.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>ESPERA &#8211; Fila em terminal do Expresso Tiradentes<\/p>\n<p>Renata Santiago mora no Campo Limpo, na zona sul de S\u00e3o Paulo, e trabalha numa empresa de telemarketing perto da Esta\u00e7\u00e3o da Luz, no centro da cidade. Todos os dias, Renata sai de casa \u00e0s 9 horas, embora s\u00f3 entre no trabalho ao meio-dia. O \u00f4nibus leva entre uma hora e uma hora e meia de sua casa at\u00e9 o Terminal Capelinha, ainda na zona sul. L\u00e1, ela pega outro \u00f4nibus, que vem pelo corredor da Santo Amaro e da 9 de Julho, e leva entre uma hora e 15 minutos e duas horas para chegar ao Terminal das Bandeiras, no centro.<\/p>\n<p>Renata sai do trabalho \u00e0s 20 horas. O caminho de volta para casa lhe toma outras duas horas. No total, ela passa cerca de cinco horas por dia dentro do \u00f4nibus. Aos 22 anos, com o ensino m\u00e9dio completo e um sal\u00e1rio que lhe permitiria pagar faculdade, Renata sabe exatamente o que faria com esse tempo, se ele n\u00e3o lhe fosse roubado: um curso de Recursos Humanos, de dois anos de dura\u00e7\u00e3o, que a faria progredir no trabalho. Mas isso \u00e9 fisicamente imposs\u00edvel: &quot;N\u00e3o tenho como conciliar faculdade e servi\u00e7o&quot;, resigna-se a mo\u00e7a. &quot;Espero a expans\u00e3o do Metr\u00f4.&quot;<\/p>\n<p>Vanessa Berise demora apenas meia hora no metr\u00f4 de sua casa, na Penha, at\u00e9 o consult\u00f3rio onde trabalha, na Avenida Paulista. Mas isso \u00e9 porque ela entra \u00e0s 13 horas. Na volta, \u00e0s 19 horas, ela \u00e9 obrigada a pegar \u00f4nibus. Da Avenida Brigadeiro Lu\u00eds Ant\u00f4nio at\u00e9 o Terminal Dom Pedro, leva de meia hora a 50 minutos. Da\u00ed pega outro \u00f4nibus at\u00e9 sua casa, que demora de 35 a 50 minutos. Ou seja, a volta consome quase uma hora a mais que a ida. &quot;Eu gostaria de voltar de metr\u00f4, mas ele fica superlotado no in\u00edcio da noite&quot;, explica Vanessa, tamb\u00e9m de 22 anos. &quot;O problema n\u00e3o \u00e9 o \u00f4nibus, mas o tr\u00e2nsito.&quot;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds dos Santos, de 30 anos, mora no Jardim Damasceno, zona norte, e trabalha como estoquista na Rua Bar\u00e3o de Duprat, no centro, das 8 \u00e0s 18 horas. Ele sai de casa \u00e0s 6h30, pega um micro-\u00f4nibus at\u00e9 o Terminal Vila Nova Cachoeirinha e, de l\u00e1, um \u00f4nibus at\u00e9 o Largo do Pai\u00e7andu, aonde chega \u00e0s 7h45. Mas dram\u00e1tica \u00e9 a volta. &quot;Os \u00f4nibus lotam demais. Na Lapa entra muita gente&quot;, descreve. &quot;\u00c0s vezes, fico esperando o hor\u00e1rio de pico passar. Chego em casa 20h30, 21 horas.&quot;<\/p>\n<p>Nos corredores pelos quais Renata atravessa a cidade, assim como no Largo do Pai\u00e7andu, os \u00f4nibus formam filas. O problema n\u00e3o \u00e9 sua frequ\u00eancia, mas a quantidade de gente, o tr\u00e2nsito e a simples dist\u00e2ncia. Os trens do metr\u00f4 da Linha 3, que serve \u00e0 zona leste, j\u00e1 atingiram, no hor\u00e1rio de pico, o intervalo m\u00ednimo permitido pelo sistema: 101 segundos, o terceiro menor do mundo. <\/p>\n<p>\u00c9 evidente que em muitas situa\u00e7\u00f5es o transporte p\u00fablico precisa ser melhorado &#8211; principalmente at\u00e9 os terminais, e entre bairros vizinhos. Mas o que as hist\u00f3rias de Renata, Jos\u00e9 Lu\u00eds e Vanessa mostram \u00e9 que a solu\u00e7\u00e3o para o problema da circula\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo n\u00e3o est\u00e1 apenas na melhora do transporte p\u00fablico ou na expans\u00e3o do Metr\u00f4 &#8211; ambas obviamente desej\u00e1veis. N\u00e3o h\u00e1 transporte p\u00fablico nem sistema vi\u00e1rio que comportem uma popula\u00e7\u00e3o de 11 milh\u00f5es de habitantes &#8211; para n\u00e3o falar dos outros 9 milh\u00f5es da Regi\u00e3o Metropolitana &#8211; cruzando a cidade em busca de trabalho, ensino, sa\u00fade, consumo e lazer. \u00c9 preciso que as pessoas encontrem isso mais perto de casa.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o da S\u00e9, no centro de S\u00e3o Paulo, moram 20.115 pessoas e trabalham 257.385. S\u00e3o 12,8 empregos por morador. J\u00e1 em Itaquera, populoso bairro da zona leste, h\u00e1 201.512 habitantes e 17.495 empregados &#8211; 11,5 moradores por vaga. Mais ao fundo da zona leste, em Cidade Tiradentes, a equa\u00e7\u00e3o piora: para uma popula\u00e7\u00e3o de 190.657 pessoas, h\u00e1 apenas 2.889 empregos &#8211; 66 moradores por vaga. No Jardim \u00c2ngela, bairro pobre da zona sul, moram 245.805 pessoas, mas s\u00f3 h\u00e1 5.171 empregos &#8211; 42,5 habitantes por vaga (veja o mapa). <\/p>\n<p>&quot;Fala-se do problema da circula\u00e7\u00e3o como se o uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo n\u00e3o tivesse import\u00e2ncia&quot;, observa Raquel Rolnik, professora de Urbanismo da USP e diretora de Planejamento da Secretaria Municipal de Planejamento entre 1989 e 1992, na gest\u00e3o de Luiza Erundina. &quot;Os deslocamentos s\u00e3o definidos pelo modo de ocupa\u00e7\u00e3o do solo. O modelo seguido no Brasil em geral e em S\u00e3o Paulo em particular contribui para a insustentabilidade da circula\u00e7\u00e3o, porque o desenvolvimento \u00e9 ditado pela l\u00f3gica do mercado.&quot;<\/p>\n<p>A come\u00e7ar pelos conjuntos habitacionais populares. Os governos oferecem aos empreendedores valor fixo por unidade habitacional &#8211; que no programa federal Minha Casa Minha Vida s\u00e3o R$ 52 mil nas regi\u00f5es metropolitanas e R$ 48 mil nas cidades menores. Em geral mais fortes que as prefeituras, os empres\u00e1rios compram terrenos baratos em locais long\u00ednquos, formando &quot;guetos&quot; puramente residenciais, que obrigam os moradores a percorrer longas dist\u00e2ncias atr\u00e1s de trabalho e o Poder P\u00fablico a estender infraestrutura at\u00e9 l\u00e1, deixando vazios nas regi\u00f5es mais centrais e no meio desses percursos.<\/p>\n<p>\u00c1reas puramente residenciais tamb\u00e9m s\u00e3o vendidas com sucesso \u00e0s classes m\u00e9dia e alta, por meio de condom\u00ednios de casas e edif\u00edcios cercados de &quot;bosques&quot; que representam o sonho de uma vida tranquila e segura. &quot;Esses condom\u00ednios fechados s\u00e3o um atraso de vida&quot;, critica o urbanista Jorge Wilheim, duas vezes secret\u00e1rio municipal de Planejamento e mentor do c\u00e9lebre Plano Diretor de Curitiba dos anos 60. &quot;Criam-se guetos. N\u00e3o h\u00e1 nada melhor que o espa\u00e7o p\u00fablico, onde h\u00e1 conv\u00edvio.&quot; <\/p>\n<p>Para Wilheim, essa \u00e9 uma resposta errada n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista urban\u00edstico, mas tamb\u00e9m da seguran\u00e7a. &quot;Ningu\u00e9m tem coragem de entrar numa rua deserta, mas numa cheia de gente n\u00e3o tem medo&quot;, explica. &quot;A salvaguarda de cada um de n\u00f3s est\u00e1 nos outros.&quot; Numa rua movimentada, em que as classes se misturam, o problema de seguran\u00e7a se resume a trombadinhas; j\u00e1 os condom\u00ednios fechados concentram a riqueza, sublinham a disparidade social e se transformam em alvos de invas\u00f5es a m\u00e3o armada, apontam v\u00e1rios urbanistas.<\/p>\n<p>Por outro lado, a concentra\u00e7\u00e3o do trabalho em determinadas \u00e1reas faz com que elas fiquem vazias de noite &#8211; um desperd\u00edcio de infraestrutura e, em alguns casos, cen\u00e1rio de degrada\u00e7\u00e3o.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desafio na cidade que se espalha in -http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20100117\/not_imp496996,0.php Bairros distantes ainda carecem de infraestrutura, enquanto a rede de transportes n\u00e3o comporta a superpopula\u00e7\u00e3o ESPERA &#8211; Fila em terminal do Expresso Tiradentes Renata Santiago mora no Campo Limpo, na zona sul de S\u00e3o Paulo, e trabalha numa empresa de telemarketing perto da Esta\u00e7\u00e3o da Luz, no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-190446","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190446","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=190446"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190446\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=190446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=190446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mereja.media\/index\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=190446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}