Cerro do Outeiro, uma aldeia quase extinta

Na margem esquerda da Ribeira de Codes, encabritada sobre uma crista de quartzito e xisto, houve em tempos uma aldeia, hoje quase um amontoado de pedras…

Nessa aldeia, o presente quase não existe. No exíguo espaço podem ver-se, isso sim, os vestígios de uma vida que quase não terminou, que parece ter-se interrompido momentos antes…

…ou insiste em continuar. Esta chaminé recente, parece contradizer a vetustez dos muros de quartzito.

Os girassóis não nascem por acaso. Tem de haver por ali alguém capaz de deitar as sementes…

Podemos imaginar, no pequeno patamar, preparando-se para descer os dois pequenos degraus, a noiva que deixa a casa onde nasceu…

Construíam-se os muros sobre a mesma rocha de que eram feitos…

Aqui, a “avenida” era um pouco mais larga…

Restam ainda as traves-mestras, que sempre se aguentam um pouco mais…

O piso de madeira ruiu, mas mantêm-se as janelas, sob o abrigo dos muros…

Adivinha-se um alpendre que quase parecia um palco…

Porta para o quintal, jardim, pomar…

Quase um castelo…

Onde se vêem seteiras, senão nos castelos?!…

Nesta janela, estaria Julieta esperando Romeu?…

O guardião do lugar anda por ali…

Se dá costas, é para prosseguir o seu trabalho de vigilância…

E mantém-se firme, no seu posto!