Nessa aldeia, o presente quase não existe. No exíguo espaço podem ver-se, isso sim, os vestígios de uma vida que quase não terminou, que parece ter-se interrompido momentos antes
ou insiste em continuar. Esta chaminé recente, parece contradizer a vetustez dos muros de quartzito.
Os girassóis não nascem por acaso. Tem de haver por ali alguém capaz de deitar as sementes
Podemos imaginar, no pequeno patamar, preparando-se para descer os dois pequenos degraus, a noiva que deixa a casa onde nasceu
Construíam-se os muros sobre a mesma rocha de que eram feitos
Aqui, a avenida era um pouco mais larga
Restam ainda as traves-mestras, que sempre se aguentam um pouco mais
O piso de madeira ruiu, mas mantêm-se as janelas, sob o abrigo dos muros
Adivinha-se um alpendre que quase parecia um palco
Porta para o quintal, jardim, pomar
Quase um castelo
Onde se vêem seteiras, senão nos castelos?!…
Nesta janela, estaria Julieta esperando Romeu?…
O guardião do lugar anda por ali
Se dá costas, é para prosseguir o seu trabalho de vigilância
E mantém-se firme, no seu posto!
